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Blackberry - Da pasta para a mochila

Celulares Blackberry costumavam frequentar bolsos de ternos finos e caros. Costumavam. Os aparelhos conhecidos por seus modelos quadradões e sistema único de e-mail e segurança agora sofrem para caber em apertadas calças jeans ou sobreviverem em bolsas escolares.
“Antes, tudo era restrito a early adopters e ao público corporativo”, conta o analista da IDC, Bruno Freitas. “Agora, os smartphones estão chegando à classe C, que busca mobilidade: redes sociais, GPS, câmera, música; e o mercado percebeu isso.”


Blackberry 9900, o mais fino já produzido. Lançado há duas semanas


Filhos de executivos, mexendo nos celulares dos pais, descobriram o Blackberry Messenger ou BBM (leia mais ao lado), de custo baixo, rápido e prático, palavras-chave que fizeram com que o serviço de mensagens se tornasse um atrativo para jovens. O fenômeno surpreendeu a própria empresa, que passou a atender um público inesperado.
Marcelo Godoy, organizador do festival Mobilefest, descobriu o serviço de mensagens instantâneas por causa das filhas, quando aos 14 e 15 anos pediram um Blackberry justamente pelo tal BBM. “Usam até hoje para falar com a mãe e amigas. Desse jeito, acho que logo vou comprar um para mim também”, diz Godoy.
O mesmo acontece com o estudante Allan Manfredi Correia, de 16 anos, que usa o BBM para falar com os pais e amigos de colégio. “Outros aparelhos ainda saem na frente para jogos e música; mas o Blackberry, para conversar é melhor, até pelo teclado físico que facilita na hora de digitar rápido”, diz.
A opção pelo teclado QWERTY, aliás, é um dos diferenciais da marca. A executiva Giovana Gomes, de 28 anos, conta que trocou um iPhone pelo seu Blackberry Curve por conta dele. “Tem de ter dedo de Gisele Bündchen para acertar as letras no touch. Para mim, que escrevo rápido, é um inferno!”

6510: um dos primeiros a fazer ligações, de 2002
A corrida pela mudança existe, mas ainda há muito a ser feito, diz Alex Queiroz, 33 anos, supervisor de um loja de celulares em Belém, no Pará. Para ele, a Blackberry “tem de investir mais em recursos sociais e mídia”. “Há algum problema com os engenheiros de lá que não conseguem mudar os aparelhos, não se vê inovações concretas”, opina.

Ele explica que empresários vão à loja para comprar um iPhone para tê-lo como secundário. “Só não mudam definitivamente por causa da segurança que o Blackberry oferece.”
Segundo uma pesquisa da consultoria IDC, a RIM fica em quarto lugar entre as plataformas preferidas dos desenvolvedores para criar aplicativos (a Apple lidera, seguida do Google e Microsoft). Atualmente a loja de aplicativos Blackberry App World, possui o quarto maior acervo de programas, com cerca de 18 mil apps, e uma taxa de 3 milhões de downloads por dia.
Análise: Há um lado ‘fun’ que o Blackberry não tem
Não está muito fácil a vida da RIM, fabricante do Blackberry. A empresa foi pioneira nos celulares especializados em serviços de dados, há mais de uma década, com aparelhos criados para a troca de SMS e e-mails. Agora que todo o mercado está se tornando de smartphones, a RIM fica no meio do tiroteio entre o iPhone, da Apple, e o Android, do Google.
A consultoria Gartner prevê que, mundialmente, a participação da RIM no mercado de celulares inteligentes caia de 16% no ano passado para 12,6% em 2012. No mesmo período, a fatia do iOS, da Apple, deve ir de 15,7% para 18,9%; e do Android, de 22,7% para 49,2%.
No mês passado, a RIM reduziu a expectativa de lucro para seu primeiro trimestre fiscal (que terminará no dia 28 deste mês). A projeção anterior era de que o ganho ficasse entre US$ 1,47 e US$ 1,55 por ação. Agora, é de que fique de US$ 1,30 a US$ 1,37. Os motivos: vendas menores que o esperado e aparelhos vendidos mais baratos que o previsto.
O Blackberry tem como pontos fortes a sua especialização em mensagens e as características que o tornam interessantes para o mercado corporativo, como a segurança. O grande desafio é fazer frente às funcionalidades dos concorrentes que atraem as pessoas fora do ambiente corporativo, como a facilidade de uso e a infinidade de aplicativos.
Dagoberto Hajjar, presidente da Advance Consulting, trocou, no ano passado, seu Blackberry pelo iPhone: “Fui por 10 anos diretor da Microsoft e não era fã da Apple. Mas foi só brincar 15 minutos com o iPhone da minha esposa para decidir mudar. Tem todo um lado ‘fun’ que o Blackberry não tem.”

(Renato Cruz)
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